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Evolução da mulher na população economicamente ativa

Mariza Bazo é jornalista, diretora da Studio Press Comunicação, presidente da Associação de Mulheres de Negócios e Profissionais-BPW Cuiabá

Participar com números positivos, no computo da população economicamente ativa do Brasil, já não é tão desafiador ao universo feminino. Tendo-se em vista que não tem 100 anos, salvo raras exceções, que as mulheres brasileiras ingressaram nos mercados, profissional e empresarial, sendo que na primeira metade do século XX os números estavam em torno de 8% e hoje se aproximam a 50%, temos sim que comemorar os avanços. Contudo, há muito ainda para a mulher conquistar.

O motivo da comemoração poderia ser maior, se a grande parte do universo de  trabalhadoras brasileiras não sofresse discriminação, a exemplo do acesso aos postos de trabalho, principalmente nas áreas executivas. Em todos os cargos a maioria das mulheres ganha menos que os homens, ocupando os mesmos postos, que em alguns casos ultrapassam 30%. Se isso não bastasse, as profissionais quando casadas ou morando com um companheiro, são na maioria das vezes obrigadas a jornadas duplas e quando estudam, até triplas, cuidando sozinhas das tarefas domésticas.
Números divulgados entre 2008 e 2009, por importantes instituições, a exemplo do Departamento de Intersindical de Estatísticas e Estudos Socioeconômico-Dieese e do Global Entrepreneurship Monitor- GEM, valem como referências. No período as mulheres eram 45,1% do mercado de trabalho e 46% em relação ao empreendedorismo, sendo que neste campo, em 2008 chegou a superar os empreendedores masculinos atingindo 52%. Tais percentuais, se considerarmos a média de 20% de crescimento nos últimos anos, mostram que em curto espaço de tempo a mulher poderá superar os índices masculinos nestes mercados, assim como já superaram na educação, sendo que estão estudando mais que os homens.
Os percentuais elevados, entretanto, não servem como mensuração qualitativa, e sim quantitativa. Em cargos executivos, a exemplo de carreiras como presidentes, e vice-presidentes de empresas, as mulheres não chegam a 30%. Já no tocante a supervisoras, há praticamente empate técnico com os homens. A discriminação, entretanto, fica mais evidente nas grandes corporações. Para muitos estudiosos em gênero, a igualdade precisa fazer parte do mundo corporativo, inclusive nas negociações coletivas, que podem assegurar melhores condições de trabalho e de salários compatíveis.
Uso da intuição, a força de vontade para se capacitar, a preocupação com os detalhes, a boa comunicação e a facilidade de trabalhar em equipe, têm sido pontos positivos do perfil feminino. Muitas empresas estão reconhecendo tais habilidades, mas nem todas fazendo justiça na folha salarial. Pesquisas mostram que em empresas até 50 funcionários, as mulheres têm mais vantagens competitivas. Elas são 22.22% dos presidentes, 22,65% dos vice-presidentes, 28,68% dos diretores, 36,6% dos gerentes, 50% dos supervisores e 44,94% dos chefes. 
O custo da emancipação feminina ainda é alto, mas ocorreram sem dúvidas avanços neste caminhar que realmente são relevantes. Muitas destas conquistas se devem as organizações feministas e às diversas mulheres, protagonistas de uma causa, maior do que elas próprias. A Associação de Mulheres de Negócios e Profissionais-BPW Cuiabá, tem feito sua parte neste processo, projetando, assinando termos de parcerias, inclusive com a BPW Brasil, Sebrae e a Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres-SPM da Presidência da República. Está divulgando e influenciando as políticas de incentivo ao empreendedorismo, autonomia, inclusão e a igualdade de oportunidades. A organização está trabalhando de forma estratégica em prol da equidade.
Mariza Bazo é jornalista, diretora da Studio Press Comunicação, presidente da Associação de Mulheres de Negócios e Profissionais-BPW Cuiabá e diretora setorial da Federação das Associações Comerciais e Empresariais de Mato Grosso-Facmat – e.mail- marizabazo@studiopresscomunicacao.com.br


Publicado em: 2010-03-08
Fonte: Mariza Bazo

 


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